quinta-feira, 28 de outubro de 2010

10 Ways You Can Fight Hunger On World Food Day

10 Ways You Can Fight Hunger On World Food Day

Como dizia Betinho, a fome não espera. Lógico, há famintos aqui, acolá. Na nossa esquina mesmo. No domingo, retornava da Corrida/Caminhada contra o Câncer de Mama, com uma banana e uma maçã que faziam parte de um lanche doado pela organização do evento, e me dirigia com minha filha a um lugar onde pudéssemos sentar para que ela tomasse um café da manhã adequado. Sim, somos pessoas abençoadas - podemos tomar um café da manhã "adequado", quando 925 milhões de pessoas estão subnutridas no mundo inteiro. Aliás, a situação no Brasil é bem melhor do que no resto do mundo. É só verificar em http://www.wfp.org/hunger.
Pois bem, meio da manhã, não é difícil encontrar um "sem-teto" na rua, ainda dormindo ou acordado. Alguns têm um cobertor, outros estão cobertos de jornal. Outros nem isso, procuram se proteger do frio como podem. Nós estamos endurecidos pelo medo, ou talvez pela indiferença. Passamos direto. Talvez o motivo seja outro: quem sabe façam caridade para alguma entidade e entendem que a ajuda individual não é a sua praia.
Já tinha dado alguns passos e olhado de relance para um desses sem-teto, um adolescente. Em questão de segundos fui pensando nisso tudo e me lembrei de alguns teóricos que dizem da dificuldade de se olhar nos olhos desses meninos, de falar com essas pessoas (além do mais, eu não sou extrovertida, tenho de fazer um esforço extra para falar com estranhos). Não há oportunidade melhor para confrontar nossos medos: será que ele vai me agredir? será que ele quer dinheiro? será que ele está drogado? Retrocedi a meia dúzia de passos, me abaixei, peguei o lanche, e falei com o menino que tinha uma banana e uma maçã, e perguntei se ele queria. Ele vestia apenas uma camiseta, esticava para cobrir as pernas, e aceitou, agradecendo. Minha filha também deu o lanche dela, e saiu chorando.
Para nós, um ato simples. Executamos e partimos, continuamos nossa vida, nos esquecemos. Aquele menino continua na rua, com certeza. A vida dele será curta, sem perspectivas. A maior parte das pessoas que passa fome no mundo está na Ásia e na África. Um percentual menor está na América Latina, principalmente nas áreas rurais e em áreas pobres.
É preciso reverter esse quadro. Coisas que eu gostaria de ver: educação, educação e educação; centros de lazer para a infância e para a juventude; cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente; proteção à mulher; punição exemplar ao mau servidor público (lugar de quem coloca dinheiro na cueca ou na meia é na cadeia); quarentena para quem servir ao governo (saiu do governo não pode fazer se aproveitar de seu status); proibição ao "nepotismo cruzado" (filho, afilhado e etc. de amigo meu também não pode ser empregado); acabar com concursos esdrúxulos (fez concurso para porteiro da Câmara, não pode virar outra coisa); fim da carteirada; fim das milícias; fim das propinas; valorização dos educadores, assistentes sociais, e todos aqueles ligados ao cuidado da criança e do adolescente. Tem mais, só que agora não me ocorre.
Como dizia Betinho, a fome não espera, medidas imediatas devem ser adotadas porque o paciente está na UTI, mas há outros pacientes, planos devem ser feitos. Enquanto isso, os candidatos ficam no blablabla, se aliam a forças retrógradas, e falam em desrespeitar direitos humanos básicos. Mamãe já dizia, os bons morrem cedo. Fico só imaginando, uma salinha lá no céu, e Betinho, Henfil, Irmã Dulce, Jefferson Peres, Chico Mendes, D. Zilda Arns, os fofos, juntos assistindo a esses debates insanos dos candidatos à presidência, e se entreolhando estarrecidos. Chegassem Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Brizola para dar graça, e aí ficaria muito barulhento. O que Henfil não produziria de tirinhas agora.

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