segunda-feira, 7 de junho de 2010

Memories


1995. Chegamos a NYC, eu e Déa, viagem corrida, tinha acabado de mudar de setor, resolvemos economizar na diária (sempre pagávamos 1 a mais p/ podermos deixar logo as bagagens no quarto, descansar um pouco, etc., e isso numa época em que check-in era 12 h). Também pela primeira vez achamos de ñ ficar na altura da 47, como sempre, ñ sei pq, ficamos num hotel na 33, do lado do Empire State. Concierge mal-encarado, rua idem, ñ tinha segurança nenhuma então, e sequer se conseguia uma deli aberta depois das 19 h. O bônus: ficar de queixo caído olhando pro Empire a cada dia com uma iluminação diferente. Não cansava e não canso, podem me chamar de provinciana.
A piada: pois como eram os tempos de chegar cedinho lá (e tinha armário pra guardar as malas), fomos pra rua começar a bater perna antes de 9 da manhã, que remédio, néam?!?! Só que naquele dia caiu uma tempestade na cidade. Poizé. Do tipo de botar abaixo um prédio de 3 andares no Brooklyn ou em New Jersey, ñ lembro mais. E nós, sem guarda-chuva e sem ter pra onde correr (comércio só às 9) na Quinta Avenida, ficamos ensopadas. Eu, particularmente, com um casaco de lã com ombreiras (era a moda, ué), fiquei cômica. Déa só fazia apertar as ombreiras e as ditas cujas faziam aquele squish-squish. Um frio de matar (claro, o vento típico, com a gente molhada, o que se podia esperar?), e só nos restava andar até encontrar algum refúgio. 
E assim fizemos, até chegar ao Plaza, na 59. A chuva era fininha, mas inclemente. Tiritávamos de frio. E vimos o Mickey Mantle's, esse barzinho salvador, com um pequeno aglomerado na porta. Decepção. Fechado. Todos na mesma situação que a nossa. Mas não tinha jeito. Dali não sairíamos. Aguentamos, não sei se abriu 11:30 ou meio-dia, mas, finalmente, abriu. Só ñ digo que foi invadido porque todo mundo era razoavelmente educado, mas realmente, o desespero era grande, assim como o frio e a fome. Pela primeira vez eu comi chili. Acabei de lembrar disso! Como tinha pimenta! Devo ter tomado um balde de coca-cola junto, ñ sei, o que lembro é o ambiente, a memorabilia do bar, tudo tão discreto, o aconchego, o conforto - literal e figurativo. Passei um tempo recolhendo guardanapos de diversos lugares para uma prima que os colecionava. Agora eu os guardo para uso (já repararam que mesmo que vc ñ use os garçons simplesmente têm de jogá-los no lixo? oh horror!). Têm 1001 utilidades.
Pois bem. Revirando minhas coisas, que estou arrumando, achei o guardanapo, aqui escaneado. 15 anos.
Em 2007, depois de 8 anos sem voltar à cidade, fui revisitar alguns pontos. Um deles é a Famiglia Pizzeria. É preciso deixar claro que ñ sou rica nem gourmet. Viajo de econômica e com budget. E está ótimo - pelo menos viajo, porque é assim que me energizo e crio memórias. Uma delas está ligada a esse lugar: quando fomos ao musical Cats, eu e Déa, e saímos no meio, logo depois de Memories, pq foi a única coisa que se tolerava, naquele ponto fora de mão, e com a fome que estávamos, o primeiro "buraco" que vimos foi essa pizzaria. Algo assim como uma Parmê. Kind of. Apesar de ter retrato de artistas na parede, famosos, ñ lembro quais (De Niro? ou seria Pacino?). Well. Serviu a seu propósito. Pedimos 2 fatias de 'white pizza' com coca, e nos fartamos. Virou tradição. Era assim conosco. Saint Patrick, Barnes, Hard Rock, Planet, Brooklin Bridge, Phantom of the Opera, Met... a mãe de minha amiga sempre falava: mas vcs vão de novo para Nova York? Ninguém entendia, fazer o quê? Paixão é paixão. Meus filhos entenderam de cara. Minha sobrinha também.
Déa morreu em 1999. Quando saímos de Paris para lá, ela já estava bastante doente, e quando chegou na Broadway, ela chorou, e disse que nunca mais voltaria a ver aquilo ali. Penso no tempo, no envelhecimento, em como o câncer é cruel, fico aterrorizada com a possibilidade de desenvolver demência, como minha mãe, mas, no final das contas, há tantas coisas vividas, e, como diz o rabino Nilton Bonder, há que se planejar como se fôssemos viver para sempre, mas vivermos como se pudéssemos morrer no próximo segundo.
Deus é misericordioso. 

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