domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vestido para matar


E saindo da ponte, lá estava a maravilhosa e tenebrosa Torre de Londres, que eu visitaria de novo, se tivesse tempo de sobra, de preferência com direito à voz empostada do guia, que silenciou umas criancinhas barulhentamente chatas que atrapalhavam o clima teatral macabro que ele tentava emprestar ao seu relato de cabeças decapitadas no local. Para variar, na ocasião, a bateria da câmera acabou, e eu ñ pude fotografar a última residência de Ana Bolena (e estava fresca na memória a série Os Tudors, que estava assistindo no People & Arts, e vi, por acaso, o episódio de sua morte, na BBC local - de implicância com a personagem histórica e televisiva, reverti a situação, graças à excepcional atuação e dramaturgia, sem contar à canalhice de Henrique VIII, o safado; por causa disso, recusei-me a comprar qualquer coisa que lembrasse o dito cujo... o porco chovinista...).
Quando entramos na capela onde rezavam os condenados, não podíamos fotografar mesmo... de volta ao presente: nada de revisitar, o tempo era curto, mas havia uma exibição em cartaz: "Dressed to kill" ("Vestido para matar" - não sei quem estaria vestido com essa intenção, os verbos ingleses têm esta maravilhosa capacidade de se conjugarem de forma a valer para feminino e masculino, plural e singular, e a figura que ilustrava o banner era a do gordão, quer dizer, de Henrique VIII, claro; também achei de um humor negro fantástico, considerando-se quanta gente foi morta ali...)
Enfim, a Torre é um must, apesar do ingresso salgado, e macabra ou não, tem uma história fascinante. Chamem-me de mórbida, mas o mundo inteiro está pagando para assistir ou ler histórias de vampiros e lobisomens (inclusive eu).
Quem quiser saber mais sobre a Ponte ou sobre a Torre em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tower_Bridge e http://pt.wikipedia.org/wiki/Torre_de_Londres.
A Torre é Patrimônio Cultural da Unesco e não tem só horrores - há uma coleção de joias em exposição que deixa a gente meio tonta.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A ponte


Pontes nos levam de um lado a outro, para superar obstáculos. São quase que milagres - de engenharia, de comunicação, dependendo do contexto. Onde quer que exista uma, deverá haver uma história, uma emoção, e, quem sabe, uma delas poderá nos marcar por algum motivo, simbolizar algo muito importante e passar a fazer parte da nossa história. Bom, todo lugar por onde andamos passa fazer parte de nós, e, talvez, nós daquele lugar. Quem irá saber?
Pois eu já me encantei e continuo me encantando com diversas pontes: a de Florianópolis, a de Brasília, as de Paris, a do Brooklyn, a de Praga, as de Londres... e cometi a insanidade de esquecer a Tower Bridge, a ponte de Londres, sei lá como se chama. Ali do lado estava no ano anterior, na Torre de Londres, num dos melhores lugares que conheci, com o guia mais engraçado que já conheci, e me mostrei a pessoa mais idiota da face da Terra.
Remediando, pois, a sandice, lá fui eu caçar a ponte. Estou sempre atrás de pontes - por um lado, me refugio em mim, não por achar que eu me baste, mas por um pouco de preguiça, somada a um tanto de falta de tempo e outro tanto de dificuldade de comunicação entre as pessoas. Elegi entre as pontes que conheci como a minha favorita a do Brooklyn. Não por ser a mais bonita, mas por ser a mais significativa na minha vida. Os momentos ali vividos e as pessoas que se foram não têm mais volta.
Mas nem por isso deixo de ficar de queixo caído, ainda visualizando a ponte de longe. Não sou arquiteta, mas sou fascinada por arquitetura. Nada de linhas simples para mim, a não ser dentro de casa. Só teria mais encanto se fosse um aqueduto romano. A arte e o engenho humanos não me cansam. Porque destruir, se podem construir?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


Viagem no fim, praticamente 1 dia e meio para dar conta de rever a cidade pela qual me apaixonei no ano anterior, e ver o que pudesse, sem arrependimentos, porque, como dizem os experts, são necessários no mínimo 3 dias num lugar para se fazer alguma coisa decente. E eu ainda tinha de comprar "coisinhas" - tudo aquilo que teria de levar pra casa e se compra só no final, pra não arrastar na mala como peso extra pelos trens. Não era muito, mas sabe-se lá quanto tempo levaria em deslocamentos. Mesmo meus objetivos eram os mais bizarros possíveis. Quando a gente faz planos, faz no papel - quando chega no local, não conta com a realidade: obras, trânsito, distâncias que nos mapas e nas descrições são "a walking distance" (algo como "facilmente atingíveis a pé", o que é um conceito totalmente subjetivo, e de qualquer forma, consome tempo).

Uma outra coisa que a gente perde com a falta de tempo é o prazer enorme de "flanar" (dicionário: v.i. passear ociosamente, sem objetivo ou direção certa: saiu sem rumo, flanando), e descobrir o inusitado. Mas eu sempre me considerei uma pessoa de sorte só por botar os pés num avião... chega de choramingar.

Voltando: a melhor forma de otimizar uma viagem é planejar, e não estou falando nada que um especialista não diga e repita. Para quem pega sua própria mala ou mochila, isto é imprescindível. Medidas de segurança são o segundo item no cardápio. Quando tiver tempo, vou traduzir as dicas preciosas da Journeywoman, que é um site construído por uma mulher sensacional, que já na chamada meia-idade, divorciou-se, e sem saber o que fazer, foi viajar. Sozinha. Há outros sites que têm uma linha voltada para a mulher que viaja sozinha.

Ainda outros sites são interessantes para quem têm orçamento controlado. Muuuuuito conveniente.

E para planejamento, eu não abro mão do TripAdvisor e do TripWolf. O TripAdvisor te permite fazer reservas, inclusive em português, compara preços. Inestimável.

Em suma, é tempo de botar o pé na estrada. Os endereços estão listados, e todos estão no Twitter também.

http://journeywoman.com/
http://www.tripadvisor.com/
http://www.lonelyplanet.com/
http://www.tripwolf.com/
http://solotravelerblog.com/
http://www.smartwomentravelers.com/
http://www.traveldudes.org/static/about-traveldudes
http://www.travmonkey.com/

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Night in London



Uma das coisas que quero aprender a fazer é fotografar. O que vai me permitir escolher uma boa câmera. Porque só assim eu vou poder tirar uma boa foto à noite. Ou talvez o problema não seja a câmera e sim o cérebro que conduz o dedo. Whatever. Essas são as fotos que tenho e compartilharei. Porque foram momentos felizes, históricos, por mais idiota que eu seja. Pois, primeiro, eu estava flutuando de felicidade, após sair do teatro, com todas as músicas de Frankie Valli & the Four Seasons na cabeça. Pegando a Charing Cross (sempre lembrando de Anne Bancroft em 'Nunca te vi, sempre te amei', li o livro e não lembro do título em inglês, vale ver o filme e ler o livro, maravilhosos, fui à rua só por causa dele, sabendo que não existia mais a livraria, e quando voltei lá, menos livrarias ainda, que coisa...), West End, zona dos teatros, a Broadway londrina, como alguns chamam (eu ñ sou expert na cidade, conheço pouquíssimo), acompanhando o movimento, e chegando na Leicester Square (a foto dá uma pálida ideia, mas tem gente o tempo todo, e não chega a ser desagradável como está a Broadway original, insuportável inclusive à meia-noite, um amontoado de gente).
Perguntarão o porquê do meu contentamento e eu direi que estava simplesmente flanando, fazendo algo diferente, vendo pessoas, absorvendo experiências, sabendo que a viagem ia chegando ao fim e com uma sensação de missão cumprida, que o que fora vivido tinha sido significativo, e acrescentado mais algumas camadas nisto que eu sou, nisto que eu fui me tornando, deixando que tudo que eu tinha presenciado penetrasse por todos os meus sentidos.
E lá fui eu, clicando imagens meio foscas, indistintas algumas, outras nítidas, quem sabe o que um dia o que elas me trarão à memória.
Por onde passava, pessoas e obras, luzes, festa, fantasias: era Halloween! Ah! como disse, grande novidade para mim, criança ainda presente, escondida e reprimida em algum canto, nesta cultura anglófila que eu desenvolvi, me encantei, e aí está a prova. Só lamento não ter tido a coragem tola de tirar a foto com a pessoa fantasiada, como outros fizeram. Tantos anos passados e ainda não soltei estas amarras. Deve ser por isso que não consigo dançar...
Mas mesmo com esta pequena sombra, ainda estava feliz, e enquanto esperava um ônibus naquela confusão (a cidade em obras), a cereja do bolo: passou uma trupe de patinadores caracterizados para o Halloween. Fotografei, claro, mas a câmera ñ colaborou - o movimento ficou borrado. Mas foi bárbaro. Valeu. Muito.
Sugestão:
http://en.wikipedia.org/wiki/West_End_of_London
http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi-sempre-te-amei/ (vale ler o que foi escrito sobre o livro e o filme)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Retornando a Londres



Ansiedade é meio como que ser hiperativa, ter de fazer o máximo de coisas num mínimo de tempo. Uma ilusão - tem-se a impressão de efetividade. Bobagem. Não é à toa que tentam nos ensinar a meditar, respirar etc. Já levaram até monge budista e testaram - demonstrando os efeitos benéficos da prática da meditação. Alguns minutos de repouso para o cérebro podem fazer milagre. Dizem. Mas tente parar ou mesmo diminuir o ritmo de sua mente. Vêm os tais macaquinhos: seus pensamentos começam a saltar de um lado para o outro, te deixando enlouquecida. Agenda, agenda, o que eu poderia estar fazendo?

Viagem é assim: já que eu estou indo para o lugar X, porque não aproveitar e conhecer o lugar Y, que está tão perto? Lembrando que se trata aqui de uma versão da "Teoria da Relatividade" que não é a de Einstein: não é o "perto" que as revistas e os mapas turísticos querem nos fazer crer, onde todos os lugares são alcançáveis a pé em questão de minutos. NOT. É o perto tomando-se como referência o seu ponto de partida, e o fato de que talvez seja a sua última oportunidade de fazer uma viagem transcontinental.

Isto posto, já que estou em Berlim, porque não dar uma passada em Londres, e ver a London Tower, que eu esqueci (sim, idiota que sou, esqueci) de ver no ano anterior? E o retrato de Jane Austen, na National Portrait Gallery, que dizem foi feito por sua irmã Cassandra, eu, que sou apaixonada por Jane, fui descobrir esse "pequeno" detalhe num romance. Ai. E rever Jersey Boys, o musical que me encantou? Decidido. Última parada da viagem. Na última hora, li no Time Out que o musical sairia de cartaz pouco antes de eu chegar. Tristeza, decepção, frustração, mas já estava tudo fechado. Do aeroporto direto para a Victoria Station - destaque para o senhor educadérrimo que fez questão de tirar minha mala do trem, filas imensas para comprar passes de metrô, uma confusão medonha com as obras (se arrependimento matasse! o tempo que eu perdi fazendo baldeação e no trânsito quando passei para o ônibus...).

Hotel, largo as malas e corro para Charing Cross, catar o lugar onde vendia os tickets para o teatro. Se não tem tu, vai tu mesmo. O tempo ruge. 1 dia e meio e go home. A vendedora me dá a planilha... e lá está Jersey Boys! Meus olhinhos se encheram d'água. Mais um momento Mastercard (quando a voz voltou na igreja em Munique, Potsdam, a passagem de trem de Praga a Berlim pelo rio Elba...): não tem preço! E o que mais não tem preço? Primeiro, tirar uma foto do palco decadente - diga-se de passagem, antes de o espetáculo começar, nada pirateado, o moço que fica vigiando vir dizer que não podia e eu dizer pra ele deletar a foto, pq ñ sabia, pq tinha acabado de comprar a câmera, ele vir todo metido e dizer "no problem", e quando eu chego em casa, está lá a foto. Depois eu é que sou a technoidiot.

Mas o melhor mesmo, que deixou meu coração apertado foi reconhecer o cantor/ator principal, Ryan Molloy, fazendo Frankie Valli (é que da primeira vez eu assisti com o ator substituto). Glenn Carter (Tommy DeVito) tem uma voz de veludo, mas Ryan/Frankie é espetacular - embora as canções sejam o que dá vida ao show. Veria de novo, sem dúvida.

http://www.jerseyboyslondon.com/

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