segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Retornando a Londres



Ansiedade é meio como que ser hiperativa, ter de fazer o máximo de coisas num mínimo de tempo. Uma ilusão - tem-se a impressão de efetividade. Bobagem. Não é à toa que tentam nos ensinar a meditar, respirar etc. Já levaram até monge budista e testaram - demonstrando os efeitos benéficos da prática da meditação. Alguns minutos de repouso para o cérebro podem fazer milagre. Dizem. Mas tente parar ou mesmo diminuir o ritmo de sua mente. Vêm os tais macaquinhos: seus pensamentos começam a saltar de um lado para o outro, te deixando enlouquecida. Agenda, agenda, o que eu poderia estar fazendo?

Viagem é assim: já que eu estou indo para o lugar X, porque não aproveitar e conhecer o lugar Y, que está tão perto? Lembrando que se trata aqui de uma versão da "Teoria da Relatividade" que não é a de Einstein: não é o "perto" que as revistas e os mapas turísticos querem nos fazer crer, onde todos os lugares são alcançáveis a pé em questão de minutos. NOT. É o perto tomando-se como referência o seu ponto de partida, e o fato de que talvez seja a sua última oportunidade de fazer uma viagem transcontinental.

Isto posto, já que estou em Berlim, porque não dar uma passada em Londres, e ver a London Tower, que eu esqueci (sim, idiota que sou, esqueci) de ver no ano anterior? E o retrato de Jane Austen, na National Portrait Gallery, que dizem foi feito por sua irmã Cassandra, eu, que sou apaixonada por Jane, fui descobrir esse "pequeno" detalhe num romance. Ai. E rever Jersey Boys, o musical que me encantou? Decidido. Última parada da viagem. Na última hora, li no Time Out que o musical sairia de cartaz pouco antes de eu chegar. Tristeza, decepção, frustração, mas já estava tudo fechado. Do aeroporto direto para a Victoria Station - destaque para o senhor educadérrimo que fez questão de tirar minha mala do trem, filas imensas para comprar passes de metrô, uma confusão medonha com as obras (se arrependimento matasse! o tempo que eu perdi fazendo baldeação e no trânsito quando passei para o ônibus...).

Hotel, largo as malas e corro para Charing Cross, catar o lugar onde vendia os tickets para o teatro. Se não tem tu, vai tu mesmo. O tempo ruge. 1 dia e meio e go home. A vendedora me dá a planilha... e lá está Jersey Boys! Meus olhinhos se encheram d'água. Mais um momento Mastercard (quando a voz voltou na igreja em Munique, Potsdam, a passagem de trem de Praga a Berlim pelo rio Elba...): não tem preço! E o que mais não tem preço? Primeiro, tirar uma foto do palco decadente - diga-se de passagem, antes de o espetáculo começar, nada pirateado, o moço que fica vigiando vir dizer que não podia e eu dizer pra ele deletar a foto, pq ñ sabia, pq tinha acabado de comprar a câmera, ele vir todo metido e dizer "no problem", e quando eu chego em casa, está lá a foto. Depois eu é que sou a technoidiot.

Mas o melhor mesmo, que deixou meu coração apertado foi reconhecer o cantor/ator principal, Ryan Molloy, fazendo Frankie Valli (é que da primeira vez eu assisti com o ator substituto). Glenn Carter (Tommy DeVito) tem uma voz de veludo, mas Ryan/Frankie é espetacular - embora as canções sejam o que dá vida ao show. Veria de novo, sem dúvida.

http://www.jerseyboyslondon.com/

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