

Há um certo traço de obsessão nos apaixonados. Para não ser repetitiva, lembro que estou falando de minha autora favorita, Jane Austen. O problema é que sou distraída. Ou talvez, ainda bem que não sou uma louca obsessiva, daquelas que exageram. Não sabia, por exemplo (!), que o único retrato dado como autêntico de Jane e feito por sua irmã Cassandra (embora seus parentes tenham dito que não se parecia com ela), está em exposição na National Portrait Gallery, na St. Martin's Place, ali perto da Trafalgar Square.
E como a "anta" (euzinha) descobriu isto? Não foi em nenhuma enciclopédia, ou na biografia que eu li no ano anterior, escrita por Claire Tomalin (que eu me lembre, pelo menos, na minha memória sempre estressadamente fugidia) e que me levou ao Jane Austen Centre, em Bath. Mas em um romance, chamado 'Jane Austen ruined my life', de Beth Pattillo, um dos muitos que bebe na fonte original, e cita vários fatos da vida de Jane no meio da trama. Ainda bem. Ou não, porque quando li, não havia a menor perspectiva de eu ir a Londres, e caí em depressão, pensando em quão perto eu estava do retrato sem tê-lo visto... aaargh!
O que eu posso dizer? A entrada da galeria é gratuita para o acervo, no qual se inclui o retrato, que não é fácil de se achar, talvez porque ele seja muito pequeno, e está trancado em uma caixa de vidro, enquanto a maioria dos retratos seja muito grande e esteja afixada nas paredes. Não deixa de parecer um contraste: o retrato de Jane se assemelha a uma jóia muito preciosa, e por isso não pode prescindir da proteção.
A frustração é que não podem ser tiradas fotografias, e a segurança é rígida: os encarregados dispõem de câmeras, de onde podem observar os visitantes. Uma moça tentou burlar as regras, e não demorou muito, lá veio uma senhora para chamar-lhe a atenção. Regras são regras, oras.
Conclusão? Deixem-nos em paz, absorver os detalhes que pudermos - a iluminação realmente não ajuda muito, eu adoraria que dessem um lugar de maior destaque para Jane, em vez de todos aqueles "nobres" ou sei lá quem (já esqueci todos), de preferência uma ala dedicada só a ela. No mínimo.
Mas eu vi o que eu fui para ver. Era tudo que me importava. E olhe que não estava com o mapa (achei de confiar na memória, quase fui traída por ela, fiz a maior confusão). Saí feliz que nem pinto no lixo. Ignorei solenemente a exposição que era o must (tinha Beatles, outra paixão minha!), só para não estragar o encanto. Queria levá-lo comigo enquanto pudesse, e não sobrecarregar meus neurônios com mais sensações... a gente recebe informação demais, não tem jeito. Nem sei para onde fui depois, passei na lojinha, comprei umas coisas, e saí andando. Realizada. Era tempo de começar a fechar a viagem.
http://www.npg.org.uk:8080/beatles/index3.htm
Um comentário:
Leila, adorei seu relato! Assim que eu receber o postal farei um post no blog tb! thanks a lot!
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