segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Status Anxiety

O livro chama-se Status Anxiety, do filósofo suíço Alain de Botton, e tem como foco o trabalho. A tradução tem o título Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho (Ed. Rocco). Não gosto do título - não exprime com exatidão o tema do livro. Que é exatamente sobre a ansiedade que a busca do status que a posição em que nos encontramos na vida pode nos dá. Ainda não cheguei ao final, mas é óbvio que o trabalho é fundamental para nos levar a esse lugar "mítico" - que diferença entre ser apresentado como médico e escriturário, por exemplo, com todo o respeito. Ainda mais em um país onde ainda existe a cultura do "sabe com quem está falando?". Talvez melhore um pouquinho, depois da prisão do governador dos panetones, mas não sei não.
A revista Bons Fluidos entrevistou o autor. Segue uma das perguntas e resposta.

Prazer e trabalho devem caminhar juntos?

AB
Não, a dor é sempre inevitável. A crença moderna prega que nosso trabalho deveria nos trazer alegria todos os dias, que deveria estar no centro de nossas vidas e de nossas expectativas. A primeira pergunta que tendemos a fazer a pessoas que acabamos de conhecer não é de onde elas vêm ou quem são seus pais, mas o que elas fazem, presumindo por meio disso descobrir o núcleo de sua identidade. Mas, quando o trabalho não vai bem, é válido lembrar que nossa identidade vai muito além do que está escrito em nosso cartão de visitas, e que nos tornamos pessoas muito antes de virarmos trabalhadores - e continuaremos a ser humanos mesmo que aposentemos nossas ferramentas para sempre. Em outras palavras, quando o trabalho não vai bem, precisamos lembrar de distinguir nosso senso de valor do trabalho que fazemos.

É verdade, tendemos a nos identificar de tal forma com nossa atividade profissional, que corremos o risco de perdermos o rumo quando não estamos no ambiente corporativo. Acho mesmo que a empresa tira proveito disso - com a nossa permissão, inclusive. Não são todas as pessoas que têm esse comportamento ou atitude, obviamente, mas quem tem, mistura as coisas de tal forma que me leva a concordar com o filósofo: a dor é inevitável (embora eu não saiba de onde ele tirou a ideia de que existe uma crença sobre uma alegria diária trazida pelo trabalho... talvez para iluminados, como Madre Tereza, Irmã Dulce, Dra. Zilda Arns, Sérgio Vieira de Mello e outros do mesmo calibre, que, mesmo assim, teriam seus dias de aborrecimento - pelo menos o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos tinha, segundo sua biógrafa, tamanhas eram as dificuldades que enfrentava em suas missões).
Então, eu, trabalhadora comum, com dias alegres e tristes, com objetivos múltiplos, meus e da empresa muitas vezes inextricáveis, descubro que não importa o que eu faça, mesmo que eu desenrosque todos esses nós (todos, impossível), ou melhor, que eu consiga, pelo menos, como disse o filósofo, distinguir "meu senso de valor" do trabalho que eu faço, os outros, a sociedade em geral dificilmente vai ter essa percepção. Rótulos, rótulos. Imagem é tudo. Não sou eu que estou dizendo. É o que eu venho percebendo por toda a vida, e é o que o autor acaba por confirmar no livro. E é por causa da busca de uma imagem (status) que as pessoas se desesperam (ansiedade).
Se não cheguei ao final do livro, desde já recomendo, como todos os outros do autor. De qualquer forma, melhor ter ansiedade por saber do que não ter por ser ignorante.

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