quarta-feira, 3 de março de 2010

Do que eu gosto


Eu sou meio antiga, meio moderna. Gosto de rococó, barroco, medieval, idade da pedra. Prefiro autêntico, mas o fake tem seu nicho. Poderia dizer que sou artística, se não soasse uma fraude. O fato é que eu adoro prédios, desde que eles não sejam modernos (bom, onde eu more ou trabalhe, tem de haver conforto e recursos tecnológicos, porque lata d'água na cabeça, sem internet ou tv a cabo, sem chance, mas eu estou falando do material utilizado) - hoje se fala em sustentabilidade, mas também penso nos estilos, no visual... um exemplo do que eu não gosto: as concepções de Niemeyer, Lúcio Costa e Le Corbusier (não sou arquiteta). Não gosto desses prédios de preguiçosos, dessa arquitetura de embrulha-e-manda, porque tenho certeza de que falta capricho. Criatividade cabe em qualquer lugar, o problema é a ganância.
Legal é sair por aí e descobrir o que a criatividade humana é capaz de fazer quando põe a mão nos materiais que a Mãe Terra disponibiliza.
Em qualquer lugar se acha, do mais simples ao mais enfeitado. Às vezes o governante da hora enfeita demais, e gasta o dinheiro que deveria ir para beneficiar o povo. Ficam palácios deslumbrantes, esculturas, quadros, etc., alguns para a posteridade admirar em museus, enquanto o povo definhou. Bizarro. Não é sempre assim? Uns bailam, outros choram, todos morrem, as casas e os palácios vão ficando - até quando Deus quiser, que nada é para sempre. Há um tempo para tudo. E é bom que assim seja, essa dinâmica nos mantêm em estado de reflexão, por causa da incerteza. Certeza é sinônimo de inflexibilidade.
Gostei de andar pela decadente Florida, em Buenos Aires. No final tinha essa rua, cujo nome esqueci, e esse prédio, que adorei. Se meu ex-professor na pós de Desenvolvimento Urbano estivesse lá, faria uma festa descrevendo-o. Nada como um expert. Fica a foto, e o olhar de uma apreciadora leiga. E é o que eu vou continuar buscando e registrando.

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