quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Checkpoint Charlie?


Diálogo pateta: eu, entusiasmada, querendo contar para o meu irmão que tinha estado no Museu do Muro de Berlim, no Checkpoint Charlie e perguntei se ele sabia o que era e ele já começou a me dizer o que era. Claro. Desde pequeno o doido já era apaixonado por guerras (!), papai comprou para ele uma coleção que saiu nas bancas, que ele tem até hoje... lógico que a ignorante sou eu, que agora tenho de correr atrás pra entender esse jogo de xadrez pré e pós-guerra que foi e é a Europa. Comprei um livro bem interessante de um estudioso inglês que se radicou nos EUA que é um pensador independente que está ajudando. Talvez seja melhor assim - sacode a poeira do que seria se eu tivesse lido quando tínhamos censura ou pruridos nacionalista.

Impressões: o tempo todo, Berlim me pareceu uma cidade destruída e reconstruída continuamente. Uma mensagem parece pairar: lembrem-se. Não sei se a população a recebe, ou se é só para turistas. Como eu entrei pelo menos 3 vezes no ônibus turístico (o tempo ruim não facilitou a circulação a pé, nem a minha dificuldade com a língua, apesar de se falar inglês por toda a parte - o problema estava nas sinalizações, especialmente nas estações de metrô; para quem anda de bicicleta, se ñ estiver chovendo, as cidades alemãs são extremamente amigáveis), dispensei os guias, por preguiça, e adotei os fones de ouvido. Por isso fiquei com a mensagem subliminar: REMEMBER! Se não me engano, isto é dito explicitamente, quase certamente quando se passa pelo Museu Judaico (capítulo à parte).

Talvez também por ter sido bombardeada pesadamente, Berlim não tem as construções densas de outras cidades europeias, ou mesmo de Nova York, Rio e São Paulo. São espaços abertos, amplíssimos. O que vem à cabeça é grandiosidade. Poder. Não tem jeito, parece estar no DNA. Todas as cidades têm seus monumentos, óbvio, mas quando há construções a sua volta, eles parecem incorporados à paisagem. Talvez o nosso Cristo Redentor reine inconteste por estar no alto de uma montanha e por sua simbologia - braços abertos sobre a cidade, o Senhor, Filho de Deus, ao mesmo tempo protetor e recebendo os visitantes... quero dizer, não "agride". Mas as Portas de Brandemburgo, que ficam na Potsdamer Platz, foram construídas para simbolizar a vitória por um imperador guerreiro. E enquanto a cidade esteve dividida pelo Muro, as Portas estiveram fechadas. Significativo, não?

Não sei, pode ser meu DNA, pode ser o ar, mas a cidade é diferente. Enquanto os rapazes agora posam no Checkpoint Charlie para os turistas como soldados soviéticos e americanos, tiram fotos para simular como era no tempo em que se precisava de permissão para passar, a história não é tão pitoresca. De acordo com ONG alemãs, pelo menos 136 pessoas morreram tentando atravessar o muro. Hoje só restam pedaços dele em pé, e pedacinhos no museu à venda como suvenires. Em Potsdam, cidade contígua, passamos por um local onde ficava a guarda soviética, vigiando e torturando. A II Guerra acabou em 1948, foi um morticínio, sabemos da barbaridade que foram os campos de concentração; depois veio a Guerra Fria, a Alemanha foi retalhada, em 1961 se construiu o muro, e só em 1989 se acabou a divisão do país. Quer dizer, até hoje ainda se vê uma Berlim diferente de um lado e de outro. É só observar os prédios da Friedrichstrasse, onde fica o Checkpoint, cinzentos, institucionais. Parece que todo tipo de fundamentalista quer banir a beleza, seja lá sob qual pretexto for. Qual é o medo? Hipocrisia, creio.

De qualquer forma, a ignorância nunca é uma bênção. Pode-se sofrer menos, é certo, mas é temporário. Uma hora ela vai bater na sua testa. Pelo menos é o que eu acho. Mas eu fui feliz por um tempo: quando entrei no Museu do Muro que nem criança que ganha pirulito! Adoro História, ué, que vou dizer? Quando eu acabar de ler o livro terei compensado a burrice prévia...

Se quiser saber mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Checkpoint_Charlie
http://www.dailysoft.com/berlinwall/history/checkpoint-charlie.htm

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