
Não seria eu se não fizesse um desvio no meio do caminho para fazer um outro tipo de viagem - talvez a minha favorita (até porque é das mais baratas e não tem nenhum contratempo): ler.
Pois finalmente consegui terminar de ler este livro que comprei em 2007 numa livraria perto da Universidade de Harvard (o único jeito de eu dizer que fui a Harvard - como turista) - W. W. Norton é a editora, New York - London, não custa indicar, porque é muito bem escrito, apesar de encher de tristeza e desesperança o coração de quem gostaria de ver o conflito entre palestinos e israelenses resolvido. Pior, o que foi destruído não tem mais jeito. Talvez esta história tenha a ver com o que eu estava escrevendo antes, por isso o detour. Pessoas desenraizadas de suas casas, terras e história, morte, destruição... isto é o ser humano?
O autor é um jornalista inglês que conta a trajetória do milenar porto de Jaffa, agora parte de Tel Aviv, antes ocupado pelos árabes, por intermédio de pessoas que ali viveram e vivem - árabes e israelenses - sem perder de vista a contextualização histórica.
Abulafia, Abou-Shehade, Aharoni, Albo, Andraus, Chelouche, Geday, Hammami, Meisler são os principais atores (reais) deste drama que começa a se desenrolar na década de 1920. O que me choca mais é a destruição, sempre a destruição. Uma citação do livro relativa ao capítulo 18, extraída do Sunday Times, de 15/6/1969, é de corar (Golda Meir, Primeira-Ministra de Israel): '... asked whether the emergence of the Fedayeen (Arab guerrillas) is an important factor in the Middle East, Mrs Meir replied: "Important, no. A new factor, yes. There was no such thing as Palestinians. When was there an independent Palestinian people with a Palestinian state? It was either southern Syria before the first World War and then it was a Palestine including Jordan. It was not as though there was a Palestinian people in Palestine considering itself as a Palestinian people and we came and threw them out and took their country away from then. They did not exist."
Okay. Let's stop it. Now. Pessoas são estúpidas. Guerras são estúpidas. Ainda mais quando abrem a boca para dizerem esse tipo de bobagem.
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